Le Silo: Os filmes que você escolheu apresentar à ENSBA tratam, de uma forma ou de outra, da noção de “évènement”. Porquê essa escolha? Como você elaborou a seleção de filmes em questão?
Wagner Morales: O engraçado é que em francês a palavra « événement » aglutina~ dois sentidos que para nós brasileiros se concretizam em dois substantivos diferentes : « evento » e « acontecimento », duas palavras próximas, mas que carregam sentidos diferentes. Para nós, « evento » é algo que assume os ares de uma ação planejada, uma ação de alguma maneira esperada e marcada : uma festa, uma comemoração, a apresentação de um ato ensaiado. Já quando dizemos « acontecimento », geralmente estamos nos referindo às ações frutos do acaso, uma ocorrência não planejada, geralmente testemunhada por quem estava ali na hora em que ela ocorre. Quem viu, viu, não irá se repetir nunca mais : uma estrela cadente, um acidente de carro, um cantor que desafina.
Nos trabalhos presentes nessa seleção intitulada « Brazilian news : evento e acontecimento », tentei dar conta da maneira pela qual esses dois significados do termo « événement » se mostra para a lente de uma câmera. Nos trabalho aqui mostrados, sente-se uma forte influência de um vídeo primordial, que vem lá dos anos 60, época em que os artistas começavam a utilizar este suporte em seus trabalhos devido à sua potência de registro. São trabalhos que se valiam do vídeo pra mostrar alguma coisa que não poderia ser mostrada em outro tipo de recurso narrativo e se valem do vídeo como a simples e melhor forma de registrar acontecimentos, sejam eles espontâneos ou planejados.
Um outro laço que une esses vídeos é o fato deles serem realizados por artistas plásticos e não por cineastas ou videomakers. São artistas que fazem vídeo. E isso é um traço importante quando percebemos nos trabalhos um certo olhar que não busca nada além do registro de uma situação, um olhar que se contenta em ser um testemunho de uma ação e não se preocupa com uma construção narrativa ficcional ou o efeito de realidade de uma história encenada.
S: O campo da arte contemporânea acolhe cada vez mais jovens cineastas. No que diz respeito às imagens em movimento, como se apresenta hoje a cena artística brasileira, em particular em São Paulo?
W.M.: No Brasil não há cinema experimental. Isso acabou quando o super-8 deixou de existir. Nosso cinema hoje é essencialmente comercial e leviano. O que há, desde os anos 80, são muitos artistas que trabalham com o vídeo de modo experimental e, nesse caso, tanto na área do documentário, do ficcional e nas artes plásticas. Por aqui temos 4 grandes pólos produtores de vídeo que se articulam ao redor das grandes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Cada uma dessa região produziu uma safra de artistas que, de alguma forma, dialogam entre si. É possível até dizer que existe um gênero do vídeo experimental e documental de São Paulo, outro de Minas Gerais e assim por diante. Uma coisa nova que acontece, principalmente na cena paulistana, é o surgimento de uma produção de imagens em movimento realizadas por artistas plásticos, pessoas que antes realizavam pintura, escultura, fotografia e instalações e que começam a se valer do vídeo. Esse tipo de produção, na qual eu me insiro, passou a ganhar corpo e, como será possível perceber nessa seleção apresentada nessa mostra, constitui o que de mais interessante se faz hoje em dia.
S: O ano passado você foi comissário da mostra de vídeo da Bienal de São Paulo. Como foi essa experiência? Que trabalhos – e porquê – você escolheu mostrar?
W. M.: Na 28ª Bienal de São Paulo, realizada no ano passado, fui convidado para fazer a curadoria do espaço chamado « Video Lounge », que era uma programação de filmes e vídeos que acontecia dentro e durante a bienal.
O termo lounge nos remete a espaços de conforto, descontração e, até, a um certo estilo musical, no entanto, existem outras relações possíveis pra serem consideradas no nosso caso: encontro, pausa, reflexão, flerte. E era nesse universo que a minha proposta do « Vídeo Lounge» se inseria. A idéia era, através de uma extensa programação de vídeos e filmes, estimular e possibilitar a construção de um pensamento sobre o que se vê ali, nos trabalhos mostrados nos monitores de plasma e na bienal como um todo.
Dessa forma, os recortes, os quais chamei de “linhas temáticas”, eram uma espécie de caixa de ressonância daquilo que estava presente nas obras e nas propostas dos artistas participantes daquela bienal. Explico melhor: o meu ponto de partida para a construção destas linhas temáticas foi um estudo das propostas e obras apresentadas pelos 40 e poucos artistas que participam da bienal este ano. O próprio conceito chave da curadoria principal, o termo “em vivo contato”, foi muito determinante. Acreditei que estabelecer um contato com os artistas que estariam presentes durante a bienal seria determinante para a escolha do que mostrar no « Video Lounge ». Digo contato no sentido intelectual, pois não procurei nenhum artista pessoalmente, mas sim, analisei um a um os projetos por eles apresentados, além dos trabalhos anteriores, textos e algumas referências de cada um. Foi desse caldo que saíram as 4 linhas temáticas (Telepresença, Ação da música, Diariamente (vida real): pessoas e lugares e Performance), além das sessões de filmes e vídeos presentes no Auditório do terceiro andar.
Mais do que separações e fronteiras bem definidas, essas linhas temáticas apontavam para uma confluência de questões em comum, um panorama geral onde existia um horizonte compartilhado.
Todas as quatro linhas temáticas tentavam trazer ao público panoramas possíveis onde, evitando o didatismo fácil, podíamos perceber como os trabalhos escapam a classificações rígidas, uma característica que é própria das artes visuais: um documentário que também é o registro de uma performance, um vídeo-clipe que pode ser visto como um filme experimental, um programa de televisão que mais parece videoarte ou um manifesto político. As fronteiras são tênues e não é difícil constatar que um determinado trabalho poderia se encaixar em uma ou várias linhas temáticas deste programa. E isso de fato acontece algumas vezes. Havia uma “conversa” entre aquelas obras e eu apenas tentei evidenciar isso.
S: Você é simultaneamente artista e curador [nomeadamente na Galeria Virgílio, SP, onde você organiza o “Cinema de Corredor]. Como é que você vive essa articulação? No que diz respeito à sua atividade de curador, você acredita numa especificidade da “arte curatorial”, ou trata-se mais dum gesto crítico?
W.M.:No meu caso, esta articulação é recente. Começou quando eu estava fazendo a residência artística do Palais de Tokyo, o Le Pavillon. Durante a residência, fiquei muito amigo de um curador romeno, o Mihnea Mircan, meu colega de Pavillon. Naquela época, além dos meus projetos artísticos, comecei a pensar nas articulações existentes entre os trabalhos dos artistas que estavam ali e nas formas possíveis de exibir e também confrontar tais trabalhos. Isso começou a invadir um terreno que não era mais apenas criação artística, mas também pesquisa e crítica. E, no meu caso, tanto pesquisa quanto crítica são importantes e indissociáveis da criação artística, o que talvez facilite a articulação com o trabalho curatorial. Mas eu não me atreveria falar em « arte curatorial », talvez eu desconfie um pouco disso, acho que acredito mais no « gesto crítico » realizado por um artista. Por exemplo, um artista pode ter um gesto curatorial e propor um trabalho que nada mais seja que a escolha de um número de filmes pra serem exibidos em um local específico, de uma maneira específica e nesse caso, acredito que haja uma articulação entre um gesto artístico e um gesto curatorial, uma confluência. Ainda não arrisquei nada nessa área, pois nunca considerei nenhum dos meus projetos curatoriais como um projeto artístico. Na falta de uma idéia melhor é sempre uma possibilidade.
S.:Falemos da sua prática artística e dos seus filmes. Estes últimos são claramente fruto dum olhar – e duma orelha – cinéfila. Como você chegou ao cinema?
W.M.: Acredito que a minha formação cinematográfica começou bem cedo, lá pelos 8 ou 9 nos e, com certeza, foi baseada essencialmente por obras de ficção. Nessa época, eu gostava do Chaplin, do Buster Keaton, The Three Stooges, de Jerry Lewis e de filmes do gênero Western, via tudo. Depois, já na adolescência, descobri os caras de que gosto até hoje: Jean Rouch, Godard, Lynch, Buñuel, Jim Jarmuch, Wenders, Júlio Bressane, Scorsese, Robert Bresson. Era uma coisa de cinéfilo mesmo, freqüentando cine-clube, festivais e sessões malditas. Daí que já cheguei à faculdade com uma formação cinematográfica que é quase a mesma que eu carrego até hoje.
Comecei a fazer documentários mais ou menos na mesma época em que comecei a fazer o que se costuma chamar “vídeos experimentais”. Na verdade, não faço muita distinção entre os dois tipo de produção e não sei se posso falar que minha produção documental caminha para uma direção mais experimental ou não. O que posso afirmar é que cada vez mais, sinto que os meus cacoetes estéticos vão ficando pra traz na mesma medida que uma pesquisa maior sobre o meio e o suporte videográfico e cinematográfico vem ganhando lugar.
Também não gosto do termo videoarte ou vídeo de arte. Prefiro vídeo de artista, que o produto do trabalho do artista que se utiliza do vídeo pra fazer seu trabalho, assim como poderia se valer da fotografia, do desenho, do cinema, da escultura, etc.
Entrevista com Wagner Morales.
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Chronique Chinoise #6.
Entre cinéma et art contemporain. Aperçus sur la création contemporaine française et européenne.
Je présenterai les œuvres de deux artistes, de renommée internationale, qui éclairent de manière contrastée cette question du réemploi. S’il rencontre l’art contemporain, notamment par ses installations réalisés en collaboration avec l’artiste Christoph Girardet, le travail de Matthias Müller, cinéaste allemand, s’inscrit dans une tradition forte du film expérimental. Née à Johannesburg, vivant à Berlin, l’artiste Candice Breitz travaille la boucle et le sample en usant des ressources de l’art numérique dans des installations souvent spectaculaires.
Matthias Müller
Il est possible de déceler dans l’œuvre de Matthias Müller une veine poétique, de nature allégorique — The Memo Book (1989) ou Pensão Globo (1997), par exemple — et une veine plus théorique, usant du réemploi de séquences tirées de l’histoire du cinéma. Cette division reste délicate et incomplète, car le cinéaste use couramment du found footage dans nombre de ses œuvres. Je privilégierai toutefois dans le cadre de cette chronique ses films ou installations inspirés par l’histoire du cinéma. L’un de ses films les plus célèbres, Home Stories (1991), est constitué d’extraits de films hollywoodiens. Si différentes actrices se succèdent à l’écran, l’action semble continue. Une femme se réveille, seule, dans sa maison. Est-elle la victime d’une obscure menace ? Le secret est-il derrière la porte ? Elle traverse des couloirs, allume la lumière, ferme une porte, regarde par la fenêtre, inquiète et anxieuse. De sombres pressentiments ne seront jamais éclaircis. Nous ne connaîtrons jamais la raison exacte de sa peur. Les éléments de l’intrigue sont détachés de tout récit explicatif. Le suspense devient énigme. En séquestrant l’héroïne dans sa maison, le lieu familier devient le théâtre du crime. Par ce geste de déconstruction (variation des actrices, continuité des actions, fragmentation), le cinéaste produit une manière d’analyse sémiologique des codes idéologiques. Il révèle les stéréotypes du regard masculin sur l’héroïne hollywoodienne, victime angoissée et objet de désir. Ce caractère théorique du propos n’oblitère pas la part de fascination, voire de kitsch. Home Stories obéit à un double mouvement, à la fois critique et fasciné.
Différents films, co-réalisés avec Christoph Girardet, témoignent de cette part de fascination et d’énigme critique. Présentée en 1999 sous la forme de six écrans, l’installation Phoenix Tapes, d’après Hitchcock, prolonge ce travail de déconstruction. En prélevant des fragments brefs dans ses films, les artistes démontent les figures du cinéma hitchcockien à la manière d’une leçon de cinéma mais créent également un second récit, trouble, basé sur la boucle, le fétiche, la série. Les procédures du montage ne sont pas sans évoquer le travail du rêve. Chaque série (le déraillement, l’attente, l’amour de la mère, la chambre, l’endormissement) obéit à des procédés de déplacement et de condensation. Si le travail de citation occulte le récit et l’intrigue, les séries d’objets, les associations produisent une sorte de drame latent, privilégiant les lieux vides, le hors champ, les indices. Réalisé en 2003, Play est composé d’extraits de films représentant des spectateurs dans différentes salles de spectacle. Après une première ovation et un concert d’applaudissements, les spectateurs se retrouvent livrés à eux-mêmes, immobiles, interdits, dans le silence de la salle. Les deux artistes ont choisi des extraits où les spectateurs sont en proie à une attente indéfinissable. Les regards inquiets, les soupirs, les visages méditatifs et concentrés, les regards scrutateurs derrière des jumelles de théâtre témoignent d’un spectacle à venir qui semble se dérober continûment. Le spectacle n’a plus lieu, le drame est devenu celui du spectateur seul dont la détresse est visible. Sous sa forme énigmatique, ce film témoigne d’un âge second du cinéma. L’acteur s’est déplacé (on peut reconnaître dans l’assistance Cary Grant ou Liz Taylor) : il est devenu le spectateur d’un scène soustraite au regard. Un film récent Kristall, co-réalisé avec Christoph Grardet en 2006, prolonge ce jeu spéculaire entre l’acteur et le spectateur.
La nature allégorique, voire onirique, du travail de Matthias Müller est très présente dans son beau film Alpsee, plus secret, réalisé en 1994. À travers des fragments de found footage et des scènes de studio, aux couleurs primaires et saturées, rappelant l’imagerie publicitaire, le design et l’électroménager des années 60, le cinéaste dresse un tableau songeur de son enfance. Procédant par associations visuelles (entourer un arbre de ses bras et mettre un bracelet autour de son poignet, par exemple), le rapprochement entre les images, souvent déconcertant, crée d’étranges relations, proches du lapsus : du lait déborde et inonde les escaliers, une cruche se brise, un enfant joue au puzzle. Les fragments composites d’une enfance s’éclairent au gré d’emprunts à la culture de masse. L’histoire privée, individuelle, s’exprime désormais à travers un certain nombre de standards.
Si le travail de Matthias Müller produit une lecture critique des codes du cinéma, il invente, ce faisant, des modes de récit gouvernés par l’énigme, l’ellipse, le hors champ. Quelle est la charge symbolique des images prélevées à notre mémoire commune ? Comment construire aujourd’hui de la singularité avec des lieux communs ?
Candice Breitz
Née à Johannesburg (Afrique du Sud), l’artiste Candice Breitz vit actuellement à Berlin. Elle expose régulièrement dans de nombreux musées d’art contemporain. Une exposition importante s’est tenue à la Kunsthalle de Berlin à l’automne 2008. Les œuvres vidéo de Candice Breitz sont des installations à écrans multiples, souvent spectaculaires. L’artiste utilise un matériau de référence tiré de la culture de masse — films hollywoodiens, chansons de variétés internationales — qu’elle transforme et détourne selon des opérations techniques précises en privilégiant les opérations de langage. On peut distinguer dans son travail deux procédés techniques majeurs : la répétition (prélever des fragments et les mettre en boucle), l’imitation (explorer les figures du karaoké ou du play-back). L’artiste tente d’atteindre un point de transformation plastique de notre propre relation à la culture de masse. Décrivons certaines de ses installations.
Babel Series (1999) se présente sous la forme de sept moniteurs déployés dans l’espace. Sur chacun des moniteurs, différents chanteurs de variétés pop (Madonna, Queen, Prince, Abba…) semblent atteints d’un trouble du langage. L’artiste n’a retenu que des fragments brefs, en boucle, où le chanteur prononce un seul phonème. Madonna chante continûment « Pa… pa… pa… » et Freddie Mercury « Ma… ma… ma… », produisant un babil des premières années de l’enfance. Si l’effigie des vedettes est immédiatement reconnaissable, le concert simultané des différentes voix produit une étrange cacophonie.
Les dix moniteurs en cercle de Karaoké (2000) organisent un curieux karaoké. Sur chacun des écrans, un chanteur différent tente d’entonner la chanson Killing Me Softly. Enregistrés à New York, les dix chanteurs n’ont pas l’anglais comme langue maternelle, mais le russe, le coréen, l’espagnol, l’allemand, le vietnamien… D’où leur difficulté à reproduire l’intonation exacte de la langue anglaise, standard universel de la communication. L’un d’entre eux, incapable de prononcer correctement les paroles, siffle même la mélodie. Les paroles de la chanson, transformées, déplacées, déphasées, disparaissent sous le brouhaha. Placé au centre du cercle, le spectateur ne perçoit plus là encore que cacophonie. Comment créer de l’altérité à l’intérieur d’un standard ? Comment échapper à l’aliénation ?
Ces différentes questions se retrouvent dans la plupart des installations de l’artiste. Je pense à des œuvres plus récentes : Queen (A Portrait of Madonna, 2005) ou Working Class Hero (A Portrait of John Lennon, 2006). L’artiste œuvre à une déconstruction critique des normes de la culture de masse en interrogeant la possibilité (et l’impossibilité) d’un langage commun. Le cinéma aura longtemps été pensé, dès son invention, comme une manière d’espéranto, la possibilité d’un idiome universel. La culture de masse est-elle devenue l’unique langage universel ? Par ses installations, Candice Breitz interroge la place et le rôle du spectateur. Celui-ci est-il voué à du pur mimétisme ? L’œuvre la plus inquiétante à cet égard est sans doute Becoming (2003). Deux fois sept moniteurs, dos à dos. D’un côté, de brefs extraits en boucle de films où l’on peut reconnaître les actrices Cameron Diaz, Julia Roberts, Jennifer Lopez, Meg Ryan, Neve Campbell, Reese Witherspoon et Drew Barrymore ; de l’autre, sur sept autres écrans, l’artiste, en chemise blanche sur un fond neutre, s’essaie à reproduire en play-back le jeu et les mimiques des actrices (torsion du buste, expressions du regard, hochement de la tête). Le jeu mimétique, admiratif, du fan se transforme en séance de possession, voire de dépossession, en reproduisant les clichés idéologiques propres aux comédies sentimentales américaines (séparation, jalousie, dépit amoureux, aliénation). À la manière des films de Matthias Müller et Christoph Girardet, les installations de Candice Breitz articulent subtilement distance critique et fascination.
Dans Soliloquy Trilogy (2000), l’artiste a réduit trois films (Basic Instinct, The Witches of Eastwick, Dirty Harry) aux seuls moments de parole de son acteur principal (Sharon Stone, Jack Nicholson, Clint Eatswood). La présence parlante de Sharon Stone au cours du film Basic Instinct se réduit à sept minutes. Étrange soustraction. Les acteurs hollywoodiens sont-ils silencieux ? Le procédé pose plusieurs questions. S’agit-il du geste fétichiste d’un fan souhaitant privilégier la présence de sa star, du constat économique de la place du travail chez l’acteur hollywoodien ou d’une technique de déconstruction du film, soumis à des sautes logiques et des ruptures narratives ? Le procédé joue assurément sur plusieurs registres, d’où la complexité des installations de l’artiste sous l’apparente simplicité de leur formulation. L’œuvre de Candice Breitz semble en effet répondre à une formule logique, voire un théorème. Elle soumet la culture de masse à un détournement numérique, voire chirurgical, dont la démonstration visuelle séduit et bouleverse l’esprit et les sens du spectateur par une constante suspension du sens.
Il est frappant d’observer combien deux œuvres différentes peuvent dialoguer. Si certaines installations de Matthias Müller appartiennent au champ de l’art contemporain à l’instar de celles de Candice Breitz, des films comme Home Stories ou Alpsee renvoient davantage à la tradition du film expérimental par leur usage plastique du found footage (on pense à certains films de Gustav Deutsch ou Bill Morrison). On retrouve toutefois un point commun chez les deux artistes. Les différents éléments cités (chansons de variétés, films hollywoodiens) sont détachés de leur contexte et produisent, par répétition et transformation, un sentiment d’« inquiétante étrangeté ». Cette notion empruntée à Freud décrit le sentiment d’angoisse ressenti à la découverte de ce qui devait rester dans l’ombre et qui en est sorti. Freud insiste sur le caractère négatif de la vie psychique, qu’il s’agisse du retour du refoulé (ce qui est enfoui fait retour) ou d’une croyance dépassée (l’immortalité, par exemple). Difficile de ne pas voir chez ces héroïnes de Matthias Müller enfermées dans la pénombre de leur logis, chez cet enfant égaré parmi les ustensiles de cuisine, chez ces personnages hitchcockiens livrés à l’énigme des indices la présence d’une familiarité soudain inquiétante. Plusieurs œuvres du cinéaste explorent d’ailleurs directement la question du fantôme (Phantom ou Pictures). Difficile également de ne pas voir dans les boucles mécaniques de Candice Breitz, chez ces stars qui s’adressent à elles-mêmes ou ces fans épris de ressemblance, dans le spectacle de ces karaokés cacophoniques un trouble profond de la reconnaissance. La culture de masse constitue désormais notre mémoire familière. Si les univers culturels et les références des deux artistes sont différents, la culture populaire et l’histoire du cinéma constituent pour l’un et l’autre un objet de fascination et d’exorcisme. Ce qui revient est désormais inscrit dans la mémoire collective comme une ombre.
Texte d'Erik Bullot.
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Chronique Chinoise # 5
Entre cinéma et art contemporain. Aperçus sur la création contemporaine française et européenne.
Je voudrais présenter quelques films de deux cinéastes singuliers dont les œuvres présentent des similitudes frappantes. Leurs films se caractérisent le plus souvent par un usage radical du dispositif. Ils répondent à une proposition ou une promesse. Henri-François Imbert est un documentariste français qui a réalisé, entre autres, les films suivants : Sur la plage de Belfast (1996), Doulaye, une saison des pluies (1999), No pasarán, album souvenir (2003) et, plus récemment, le Temps des amoureuses (2008). Chacun de ses films suppose une quête généalogique autour d’un être ou d’une image. Des images sont trouvées. Une image a été perdue. Conjuguant le hasard des rencontres et la logique de l’enquête, le film découvre en chemin des blessures secrètes. Sepideh Farsi est une cinéaste d’origine iranienne qui vit en France depuis 1984. Ses films croisent le documentaire : Homi D. Sethna. Filmmaker (2000), le Voyage de Maryam (2002), Harat (2007) et la fiction : Rêves de sable (2003), le Regard (2005). Le motif de la photo trouvée, du retour au pays natal, de la mémoire, de la filiation sont des thèmes qui traversent ses différents films.
Au-delà des ressemblances thématiques entre les œuvres des deux cinéastes se profile la question du dispositif. Le film obéit à une règle du jeu qui dicte sa structure et sa forme. Sans doute la place du dispositif dans leurs films tient-elle à l’influence des croisements entre le cinéma et l’art contemporain.
Henri-François Imbert
L’enquête reste fragile, susceptible de s’interrompre à tout moment. Le spectateur observe le jeu contrasté d’un suspense qui ressemble étrangement à celui d’un film policier avec ses témoins successifs, ses fausses pistes, ses déceptions, ses hasards soudains. Au fil de l’enquête, l’arrière-plan politique émerge peu à peu. Le conflit irlandais est évoqué à plusieurs reprises. La quête anecdotique, presque romanesque, d’une image perdue se transforme en document politique. Plus troublant encore reste la figure paternelle. Car ce petit film super-8 a été tourné par le père, décédé depuis. Sa caméra a été vendue en laissant le film à l’intérieur. Sur la plage de Belfast se conclue par des retrouvailles familiales en l’absence du père. Restituer une image à son propriétaire, retrouver les acteurs d’un film revient à suivre un fil généalogique marqué par le deuil et la disparition.
Après ce premier opus, qui semble le fruit d’un heureux hasard, sans suite possible, il est curieux d’observer que les films suivants de Henri-François Imbert seront construits sur cette même méthode qui conjugue le projet et l’aléa. Dans Doulaye, une saison des pluies, il part à la recherche d’un ami malien de son père. Placée là encore sous l’invocation paternelle, cette quête se conclue par une rencontre énigmatique et quelque peu déceptive avec cet homme autour d’une caméra. Dans No pasarán, album souvenir, le réalisateur retrouve chez ses grands-parents une série de six cartes postales. Ce sont des images prises lors de la fuite des Républicains espagnols pour rejoindre la France sous la menace des troupes franquistes en 1938. À travers la recherche de la collection complète des cartes postales, Imbert reconstitue une histoire refoulée. On apprend comment les Français placèrent ces réfugiés dans des camps, comment certains réfugiés quittèrent les camps français pour trouver directement la mort dans les camps allemands de Mauthausen. La dernière scène du film montre des réfugiés à Sangatte aujourd’hui qui évoquent leurs conditions de vie en regardant ces cartes postales anciennes. L’histoire personnelle (des images trouvées chez ses grands-parents) rencontre l’Histoire.
Un film plus récent, Harat, multiplie les mêmes soupçons. Il s’agit d’un voyage cette fois-ci réel de la cinéaste, en compagnie de sa petite fille Darya et de son père, au Moyen Orient à la recherche d’ancêtres familiaux venus d’Afghanistan. Cette recherche des origines joue sur plusieurs registres. Non seulement le point de vue est diffracté au sein du film (Darya filme avec un téléphone mobile certaines scènes), mais les rencontres familiales en Iran ont souvent lieu autour d’un album de photographies. Chacun est amené à juger de sa ressemblance possible avec un aïeul. La reconnaissance s’avère difficile. À la fin du film, les protagonistes retrouvent une lointaine cousine, mais les indices se prêtent à d’éventuelles équivoques. La cousine hésite sur son âge, évoque une absence de dents. L’image semble contredire chacune de ses affirmations. Comment raconter une histoire dès lors que les images dissemblent, mentent ? Les films de Sepideh Farsi sont construits autour d’une image fallacieuse. Retrouver l’image perdue, originelle, signifie une course sans fin, comme en témoignent les récits d’exilés iraniens dans son très beau film documentaire, réalisé en 1998, Le monde est ma maison.
Les œuvres de ces deux cinéastes sont proches par leur thématique politique et leur souci documentaire. On peut s’interroger sur cette proximité entre un cinéaste français, soucieux des tensions internes à l’Europe et de son passé colonial, et une cinéaste iranienne, confrontée à l’expérience de l’exil. Sans doute est-ce précisément la manière dont le cinéma lui-même se déplace qui rend possible cette communauté. La ligne entre la fiction et le documentaire, l’autobiographique et le politique, ne cesse de se déplacer. Ces deux œuvres en témoignent avec force. Comment raconter une histoire dès lors que le témoin est absent ? Chacun de ces films obéit à un dispositif à l’intérieur duquel le statut du témoin vacille. L’auteur emprunte une position fragile en construisant son film autour de dispositifs : un journal de voyage, une enquête, un récit minimal. Il rencontre, de ce fait, les travaux de l’art contemporain, témoignant par cette proximité du « devenir-art » du cinéma lui-même.
Texte d'Erik Bullot.
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Chroniques Chinoises #4.
Entre cinéma et art contemporain. Aperçus sur la création contemporaine française et européenne.
Arnold Pasquier
Les films d’Arnold Pasquier frappent par leur usage intensif de la citation musicale. Le cinéaste aime à faire entendre des chansons de variété italiennes ou des tangos argentins. Son cinéma est volontiers sentimental. Mais c’est un sentiment qui puise davantage à la géographie qu’à la psychologie, comme en témoignent dans ses films la forte présence des villes (São Paulo, Buenos Aires, Genova, Barcelona), le souci de l’urbanisme, le goût pour la scénographie et l’architecture des jardins. Dans l’un de ses derniers films, le Voyage en Italie, tourné en août 2006 avec un téléphone mobile, Arnold Pasquier suit les pas d’un promeneur au long de ses déambulations dans des villes et des paysages de l’Italie du nord. Ce journal filmé de vacances, qui obéit à un dispositif simple (filmer un promeneur de dos), conjugue très curieusement le sentiment géographique et amoureux. La comédie musicale suppose désormais un détour par une chronique intime et une forme chorégraphiée du voyage.
Dans ses derniers films, Christian Merlhiot s’intéresse plus précisément au motif de la déposition, au sens de la parole déposée par un témoin devant la justice ou la loi. Inspiré par la médium spirite Élise Müller, plus connue sous le pseudonyme d’Hélène Smith, le film Des Indes à la planète Mars, coréalisé en 2007 avec Matthieu Orléan, transforme une assemblée spirite en tribune radiophonique. Hélène Smith prétendait parler, lors des réunions spirites dans les cercles genevois de la fin du XIXème siècle, une langue martienne ainsi qu’une langue hindoue. Elle inventa pour décrire ses aventures des romans fabuleux qui furent transcrits par les participants. Réunis autour d’une table, des acteurs lisent les comptes-rendus des séances dans un studio de radio qui ressemble étrangement au cabinet d’une séance spirite. Leur lecture est à la fois sobre, claire, articulée, neutre et totalement jouée. À la manière d’Hélène Smith, les acteurs se dédoublent, ils interprètent, de manière paradoxale, le rôle du lecteur. Le film accentue le trouble entre le film et la radio, l’acteur et le spectateur, le lecteur et le médium. Qui parle, désormais, dans ce film spectral ?
Il est curieux de relever chez ces deux cinéastes un usage « mineur » du cinéma. Une partie seulement de ses possibilités est utilisée : le cinéaste se prive de dialogues ou de la présence d’acteurs, il dénude la construction, le montage juxtapose des blocs, le film obéit à la stricte logique du dispositif mis en place. Ce principe de soustraction agit à la manière d’un révélateur. En confrontant le cinéma aux arts contemporains, en exacerbant sa dimension chorégraphique, théâtrale ou radiophonique, Arnold Pasquier et Christian Merlhiot révèlent des puissances nouvelles du médium.
Texte d'Erik Bullot.
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Chroniques Chinoises # 3
Entre cinéma et art contemporain. Aperçus sur la création contemporaine française et européenne
Philippe Fernandez
On ne peut qu’être étonné par l’étrange temporalité de ces films. Ils décrivent le plus souvent des actions inutiles ou vouées à une dépense vaine. La quête solitaire des personnages, dérisoire et ironique, qui participe de la vulgarisation scientifique et du hobby de l’amateur, tourne court : un paysagiste épris de vérité devient un barbouilleur, un coureur automobile amateur tente d’améliorer sans succès les performances de son véhicule, un conférencier s’endort au spectacle d’une soucoupe volante. Le récit, alimenté par une inquiétude métaphysique, se déroule dans un paysage déserté, abandonné, d’où l’Histoire semble s’être retirée. L’époque des films évoque en effet l’après-guerre et la France des années 50 dans un climat trouble qui hésite entre la préhistoire et l’ère post-atomique : blockhaus de béton, cube moderne de l’architecture, ville reconstruite d’après-guerre, statues de l’île de Pâques, météorite tombée dans le paysage, témoignant d’une réelle fascination du cinéaste pour les monolithes. Le récit tend vers une certaine entropie. L’Histoire balbutie à la manière d’un disque rayé. Ces films sont des trompe-l’œil où les personnages, après quelque hésitation, finissent par entrer dans le tableau : se promener dans le paysage, vérifier l’exactitude des lieux, éprouver la résistance des matériaux, jouer avec la lumière et les ombres, sauter dans le vide. La sortie de la salle de cinéma et l’entrée dans le tableau sont les deux axes temporels du cinéma de Philippe Fernandez. Ce double mouvement ne caractérise-t-il pas la place du spectateur aujourd’hui ?
Tacita Dean
Tacita Dean, Boots, 2003.3 films (English version, French version, German version)
16 mm colour anamorphic film, optical sound, 20 minutes
Courtesy Marian Goodman Gallery, New York / Paris and Frith Street Gallery, London
Texte d'Erik Bullot
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Chroniques Chinoises #2.
Entre cinéma et art contemporain. Aperçus sur la création contemporaine française et européenne.
Je présenterai deux artistes dont les œuvres, de manière différente, posent la question de la place du spectateur. Jean-Claude Rousseau est cinéaste. Après un séjour à New York dans les années 80 qui lui fit découvrir le cinéma expérimental, épris du cinéma de Robert Bresson et de Ozu, il a commencé le tournage de films en super-8 qui ont donné lieu à deux longs métrages sortis commercialement en salle à Paris : les Antiquités de Rome (1989) et la Vallée close (1995). Il construit depuis une œuvre minimale, marquée par l’influence croisée, assez singulière, du cinéma classique et de l’expérimental. Son dernier film, De son appartement, a remporté le Grand prix du Festival international du documentaire de Marseille (France) en 2007.Marine Hugonnier est une jeune artiste, qui vit à Londres. Elle œuvre dans le champ de la photographie et du film. Elle a participé à de nombreuses expositions collectives internationales et expose actuellement au Mamco à Genève (Suisse). Elle réalise des films, à mi-chemin de l’essai et du documentaire, qui interrogent les dispositifs optiques.
Jean-Claude Rousseau
Les films de Jean-Claude Rousseau obéissent à des dispositifs simples. Le cinéaste filme des lieux, des chambres d’hôtels (l’hôtel est son studio), des fenêtres, apparaissant lui-même à l’image sous une forme proche de l’autoportrait. Il place sa caméra en attente du cadre et du plan. Il filme l’attente, la préparation, le sorte de chimie progressive qui permet aux images d’apparaître. Il soumet le film à une sorte d’exténuation visuelle et lumineuse par de longs plans contemplatifs. On découvre l’attente du cinéaste. Il apparaît souvent dans le champ, vient s’asseoir sur le bord du lit, à sa table de travail, devant une feuille blanche ou une fenêtre ouverte, avant de sortir du cadre et de disparaître. Cinéma solitaire, voire solipsiste, qui produit une situation ambiguë, mêlée de présence et d’absence confondues. Au moment où le cinéaste apparaît, qui filme ? Qui regarde cette scène immobile, ce face-à-face entre le cinéaste et sa caméra ? Le spectateur est-il le tiers exclu ou l’hôte invisible ? L’équilibre fragile, entre présence et absence, définit une forme. L’écart entre le calcul du plan, son cadrage, l’attention extrême portée à la lumière, à l’équilibre plastique de l’image d’une part, et de l’autre, le retrait de l’auteur qui s’absente, exerçant le minimum de décision volontaire sur son film, traduit bien cet entre-deux dans lequel se tiennent ces films qui bénéficient d’une reconnaissance paradoxale, entre cinéma d’auteur et cinéma expérimental. Le cinéaste est moins l’auteur d’une œuvre que l’organisateur d’un milieu qui rend l’événement du film possible. Les films ne sont d’ailleurs pas montés, au sens classique. Le cinéaste se contente d’un bout-à-bout des plans qui respecte les aléas du tournage. L’auteur se retire, s’efface. Il devient le témoin de son œuvre, voire son propre spectateur.
Depuis le milieu des années 90, le passage à la vidéo numérique a accéléré la production du cinéaste. Il a conservé toutefois l’essentiel de son dispositif : l’attente du plan, le soin apporté au cadre, la combinaison de plans disparates, à la manière d’une sorte de chronique personnelle. Dans Faux départ (2006), il se filme en attente dans sa chambre d’hôtel. Il tourne en rond, éteint son réveil, s’assoit, contemple un tableau accroché au mur, regarde ses billets de train, ouvre et ferme la fenêtre. S’est-il décidé à partir ? Est-ce un départ ou une arrivée ? Cette indécision est l’histoire du film. Le plan soudain d’un travelling pris d’un train suggère le départ. Mais nous revenons ensuite à la chambre où le cinéaste ferme la fenêtre et semble sortir vraiment. Ce suspens léger place le film dans une situation temporelle indéterminée. L’attente du départ coïncide avec celle du film.
Dans Deux fois le tour du monde (2006), il filme le cadre vide d’une fenêtre dans un mur qui découpe un paysage baigné de lumière. Le cinéaste traverse le champ et vient se placer dans le cadre, en s’appuyant du coude au rebord de la fenêtre. Il disparaît. L’action est reprise une seconde fois. Ce très beau film, très simple, n’est pas sans évoquer le principe de la boucle par le caractère circulaire de l’action, mais également les premiers films des frères Lumière. D’un côté, le plan est réglé, par le soin apporté à la lumière, au cadre, à la mise en place, il semble relever de la mise en scène, au sens classique. Mais en même temps le cinéaste semble s’absenter de son film (on le voit actionner la caméra), le film révèle les aléas du tournage, il est soumis aux caprices de la lumière. C’était d’ailleurs déjà le sujet de son premier film, Jeune femme à sa fenêtre lisant une lettre, réalisé en 1983-84. Qui filme ? Qui regarde ? En apparaissant et en disparaissant, le cinéaste laisse-t-il une place vacante au spectateur ? Celui-ci est-il la figure absente (à venir) du film, son sujet ?
Marine Hugonnier
C’est d’ailleurs le propos de son dernier film, The Secretary of the Invisible, réalisé en 2007. Sur le fleuve Niger, en compagnie de Damoure Zika et Moussa Hamidou, proches collaborateurs du cinéaste français Jean Rouch, ce film, très contemplatif, questionne l’histoire du cinéma et la place de l’auteur. Filmé durant le « jour du cinéma », journée à Niamey où chaque spectateur peut voir autant de films qu’il le souhaite avec l’achat d’un seul ticket, ce jour coïncide avec un rituel Songhay qui révèlera au cours de la cérémonie l’esprit du caméléon. Ces différents éléments (le jour du cinéma, le souvenir de Jean Rouch, le rituel, le masque, l’esprit du caméléon) se mêlent au cours du film et interrogent la place du cinéaste. Est-il, lui aussi, susceptible de métamorphoses ?
Texte d'Erik Bullot.
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Labels: Chroniques Chinoises, Erik Bullot, Jean-Claude Rousseau, Marine Hugonnier
Chroniques Chinoises #1
Beaucoup d’images produites dans le monde aujourd’hui relèvent de la surveillance ou de l’automation : images militaires et stratégiques par satellite, caméras de surveillance urbaines, clichés touristiques produits en masse. Un cinéaste ou un artiste ne peut qu’être questionné par cette nouvelle pratique. La production d’images non vues, aveugles, inquiète la notion d’un point de vue singulier. Si certains cinéastes se sont emparés très tôt de ces images automatiques dans le champ documentaire pour provoquer chez le spectateur une réflexion critique, d’autres cinéastes construisent leurs films en questionnant la perte du point de vue, en imaginant une scène sans regard, peut-être sans auteur. Or la tradition critique française, héritée de la Nouvelle Vague, repose sur la « mise en scène » et la « politique des auteurs ». Un auteur définit un style à travers le choix d’un point de vue. Choisir un point de vue constitue une règle de la mise en scène. Qu’en est-il dès lors que le point de vue n’est plus relié à un regard ? Ce n’est plus désormais l’œil d’un metteur en scène démiurge, mais plutôt celui imaginé par les artistes dès les années 70. Je pense par exemple à l’artiste canadien Michael Snow dans son film la Région centrale (1970) où une caméra télécommandée se déplace autour de son axe dans un paysage désertique, ou à l’artiste américain Andy Warhol quittant son atelier de la Factory pendant le tournage de ses films. Le regard n’est plus dirigé par un sujet souverain, il appartient à l’ensemble du dispositif qui permet de mettre en dialogue le film, l’auteur et le spectateur. La place nouvelle prise par l’exposition du cinéma dans les musées ou les galeries, l’usage de la boucle pour présenter les films, le choix d’une projection dans l’espace permettent à certains artistes de proposer une nouvelle place pour le spectateur.
Je présenterai dans cette première chronique quelques-uns de mes films. Je ne dissocie pas ma pratique de cinéaste d’une réflexion théorique sur le cinéma menée à travers l’activité critique, la publication d’ouvrages, l’enseignement. Le cinéma est pour moi un objet de pensée. J’aime à réaliser des films qui montrent leur mode de production. Sans doute cette inquiétude tient-elle à l’instabilité du médium lui-même. Le cinéaste doit relever désormais le défi de sa métamorphose.
Dans l’un de mes premiers films, à caractère expérimental, le Jardin chinois, réalisé en 1990, je tentai de recréer une Chine imaginaire, proche des chinoiseries de l’art occidental, dans un jardin italien. Le trouble chez le spectateur doit naître de la superposition des deux images : une représentation imaginaire exotique de la Chine et un jardin classique de la Renaissance. Je me suis beaucoup intéressé à la figure de la dialectique. Je cherche à produire chez le spectateur un mouvement d’étonnement, de stupéfaction, de pensée. Dans le film, l’Ébranlement (1997), il s’agit de provoquer la rencontre d’un feu d’artifice avec un duel d’escrime. La rencontre de deux propositions différentes produit-elle un troisième terme ?
La plupart de mes films sont des jeux poétiques. Les relations entre les images sont ironiques. J’ai aussi réalisé un journal filmé qui suit mon fils depuis sa naissance. Ce journal filmé est très simple. Il montre mon fils grandir peu à peu au fil des années. Réfléchir sur le cinéma et filmer l’enfance sont pour moi indissociables. Je rêve de réaliser des films pour des enfants savants.
Texte d'Erik Bullot
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Grain de Blé
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21:23
Labels: Chroniques Chinoises, Erik Bullot


















